
A moeda norte-americana subiu 0,29% para R$ 2,0507 na venda. Mais cedo, atingiu a mínima de R$ 2,0326.
"O mercado está reagindo ao choque da retórica do (presidente do BCE, Mario) Draghi da semana passada em relação a hoje. Embora ele não tenha anunciado nada concreto agora, ele nunca foi tão explícito em direção à monetização", afirmou o economista-chefe da CM Capital Markets, Darwin Dib.
Draghi afirmou nesta quinta-feira, após o BCE deixar as taxas de juros da zona do euro inalteradas, que o BCE irá se preparar para comprar títulos italianos e espanhóis no mercado aberto, mas só agirá depois que os governos da zona do euro ativarem os fundos de resgate para fazer o mesmo.
Os mercados alimentaram grandes expectativas de que o BCE anunciaria medidas para diminuir os insustentáveis custos de empréstimo da Itália e da Espanha depois que Draghi afirmou, na semana passada, que faria tudo o que fosse preciso para proteger o euro.
"O mercado está colocando no preço a ideia de que a monetização na Europa ainda vai acontecer, mas num cenário de maior risco", afirmou Dib, acrescentando que o mercado continuará na expectativa da reativação do programa de compra de títulos pelo BCE.
"O mercado tem razão de ficar na expectativa de que o estímulo virá, mas antes disso teremos uma nova rodada de elevação dos yields (retornos) espanhóis e italianos... o que fará o BCE se sentir politicamente confortável para agir", emendou o economista.
Mercado tutelado
Para o diretor-executivo da NGO Corretora, Sidnei Nehme, o mercado de câmbio continuou com pouca variação após as declarações de Draghi devido à vontade das autoridades brasileiras de manter o dólar numa espécie de banda, que os investidores acreditam ser entre R$ 2 e R$ 2,10.
"O problema é que o nosso dólar está tutelado pelo BC", afirmou Nehme, lembrando das declarações do diretor de Política Monetária do Banco Central, Aldo Mendes, de que o dólar abaixo de R$ 2 poderia ser prejudicial para a indústria brasileira e que a autoridade monetária poderia intervir se necessário.
De acordo com o diretor-executivo, a tendência do dólar será de alta durante o mês de agosto, uma vez que os investidores buscam segurança na moeda norte-americana em meio à crise no exterior, e também porque o BC enxugou parte da liquidez do mercado de câmbio ao não rolar os contratos de swap tradicional que venceram na quarta-feira.
"O viés é que o dólar suba gradualmemte. Não refletindo lá fora, mas sim a nossa situação", afirmou Nehme.
Ele destacou, no entanto, que é natural que haja especulação de que entrará grandes quantidades de dólares no país se houver medidas de estímulo no exterior e que isso poderá puxar a cotação da divisa para baixo, mas não acredita neste cenário.
"É uma ilusão achar que tanto dinheiro vai se dirigir para os mercados emergentes se jogarem muito dinheiro lá fora. Num ambiente de crise como esse, o pessoal prefere segurança à rentabilidade. O tempo não está para especulação", ponderou.
