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Ano 1 - Ponta Porã - MS, 23 de Maio de 2013
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R. NEY MAGALHÃES
Personalidades da fronteira

MARIA BONITA SALDANHA RODRIGUES GEORGES

Filha de Clímaco da Silva Rodrigues e da dona Deidamia Franco Saldanha (Nena), é para nós seus amigos, simplesmente a Maria do Ezzat, a artista plástica que internacionalizou e revolucionou a arte da reciclagem da fronteira Ponta Porã/Pedro Juan Caballero, valorizando-a em diversos Países. Seu avô paterno Rosalino Rodrigues, comerciante e fazendeiro amante e criador de cavalos de corridas foi um mito nesse embriagante e folclórico esporte de nossos antepassados pioneiros.

Sua avó, dona Filomena era figura presente nesses encontros mediando situações de conflitos muito comuns naquelas oportunidades. Estes avós da nossa Maria Bonita eram autênticos gaúchos pioneiros que enfrentando intempéries vieram em caravanas colonizar o Sul de Mato Grosso.

Eu tive a felicidade de acompanhar algumas carreiras de cavalos do seo Rosalino nas “canchas” de Amambai, Iguatemi e Pedro Juan Caballero, quando das celebres disputas amarradas com animais do meu sogro Valdomiro Alves Monteiro e também dos amigos Lourival Vargas e Milton Milan.

O Clímaco Rodrigues, pai da nossa Maria Bonita, na região de Amambai além de fazendeiro e homem do Campo, iniciou sua caminhada e vida pública ligada à segurança ainda nos fins da ditadura Vargas. Nos bons tempos de Filinto Müller ficou conhecido pelas suas ações.

O saudoso amigo, o comerciante e meu companheiro produtor rural Ezzat Georges, um dos pioneiros na produção de soja/trigo neste sul do Mato Grosso do Sul conquistou e casou-se e constituiu sua bela família com a Maria Bonita Saldanha Rodrigues, que nascida nos ervais da Fazenda São José e cavalgando pelos campos da Primeiro de Outubro, nas margens do Iguatemi e na Boa Vista de Amambai transforma agora toda essa experiência de vida rural em obras de arte.

Com a assessoria de sua irmã Ilda Saldanha as criações artísticas tomaram formas e assim surgiram obras de valor histórico inestimável como “A Família de Avestruzes” inspirada na Fda. Boa Vista de seu avô Rosalino Rodrigues. O folclore fronteiriço muito cultivado em Amambai foi premiado pela valiosa peça denominada “Fogueira de São João”, hoje sob a tutela da Prefeitura Municipal de Amambai.

A Fogueira ou As Fogueiras de São João totalmente construídas com materiais reciclados representam as festas juninas promovidas pelo meu tio avô Lourino Albuquerque que organizava “sortijas” e outras atividades folclóricas regionais. A arte e a capacidade de criação da Maria Bonita embriagam a mente e valorizam nossa história.

Reconhecida inicialmente em Curitiba, capital da Cultura e da Arte de Reciclagem a nossa artista vem ganhando notoriedade nesse campo moderno que promove a solidariedade e protege a natureza transformando o “lixo” em “luxo”. O atelier da Maria Bonita situado no espaço ESPERANÇA no centro da Avenida Brasil entre a Sete de Setembro e Tiradentes abriga um verdadeiro banco de preciosidades culturais que estão ganhando o Mundo divulgando a Fronteira.

Promovendo doações beneficentes para auxiliar sntidades ou pessoas carentes somente em 2009 foram doadas sessenta e oito trabalhos, que comercializados contribuíram para a felicidade de muitos necessitados. Contrastando com a simplicidade da artista fronteiriça Maria Bonita, suas obras agora são valiosos instrumentos de divulgação e valorização de Ponta Porã e de Pedro Juan Caballero em espaços públicos e particulares.

O hall de entrada do Iatch Golf Club o maior e mais sofisticado Hotel de Asuncion, freqüentado por embaixadores e autoridades internacionais é um dos palcos de magnífica obra identificada como criação fronteiriça. A “Gata Branca” um sugestivo quadro a óleo enfeita espaços particulares da apresentadora do ‘Mais Você’, da Globo.

A Bailarina Negra do cantor Luciano e Os Pássaros do Zezé Di Camargo e ainda A Fôlha que pertence a Marina Silva a musa da Natureza, representam a diversidade de idéias de criação. Um motivo floral representando a união de nossos países pertence ao Presidente Fernando Lugo do Paraguay. Rosas de Ponta Porã em óleo é uma obra do acervo do governador André Puccinelli.

O cantor Julio Iglesias é detentor de um quadro a óleo em material reciclado. O repórter Maurício Kubrusly adquiriu “Bonecas de Cabaça” um motivo eminentemente fronteiriço/indígena que representa o passado de nossos ervais. A cabaça é a denominação genérica nacional do tradicional porongo que armazenava água para nossos peões ervateiros.

No último encontro histórico aqui na fronteira Brasil/Paraguai em frente ao Real Bingo Guarany, o Presidente Lula recebeu a obra denominada “O Cristão” e o Presidente Lugo foi agraciado com “El Cristhiano” demonstrando o sentido da paz e amizade entre os dois Países. Verdadeiramente, pelo seu trabalho e suas criações a Maria Bonita, que eu chamo carinhosamente de Maria do Ezzat, é a Personalidade Artística da Fronteira.

* agroney@bol.com.br

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