É doce morrer no mar!É doce morrer no mar / Nas ondas verdes do mar
É doce morrer no mar / Nas ondas verdes do mar
Saveiro partiu de noite foi / Madrugada não voltou
O marinheiro bonito / Sereia do mar levou...
Esse é um fragmento de uma das composições mais célebres do cantor e compositor baiano Dorival Caymmi que faleceu neste sábado aos 94 anos. Ele estava em seu próprio apartamento, assim como meu pai (75 anos) que estava em seu quarto, fato interessante, posto que ambos cantores e entusiastas da cultura e da música morreram em casa “baianamente” tranquilos.
O curioso é que também hoje estamos em um dia histórico para a natação brasileira e para o futebol (ufa vencemos Camarões!). A primeira medalha de ouro do País foi conquistada por César Cielo Filho que venceu de maneira espetacular a disputa dos 50 metros livre ao cravar a marca de 21s30 - novo recorde olímpico; e estes fatos todos rechearam a minha mente e fizeram pensar.
Muitas alegrias e muitas histórias de superação nos fizeram esquecer dos grandes problemas que assolavam nossos dias. Os grandes esquemas de corrupção; a dor das vidas ceifadas de parentes e amigos nesse mês foi por alguns momentos atenuada.
Mas o que de repente uma coisa te a ver com a outra? Em primeiro lugar o sobrenome do nosso medalhista (Filho) une tudo isso e nos faz questionar a vida e fazer suposições. A mais importante é que, por incrível que pareça, as nossas decisões comandam nossas vidas. Claro, alguns podem dizer que Deus está no comando de tudo. Sim posso concordar, evidente; mas ele nos dá o livre arbítrio ele fica observando nossas movimentações. Se lembramos dele em nossas vitórias ou somente nas horas de dor e fracasso. E esse artigo vem retratar essa disposição de uma forma natural e consistente.
Principalmente porque estamos no mês dos pais e sempre essa data me fala muito alto. pois todos nós dependemos de alguém para nossa orientação e estar nessa função de pai. Deus é pai quando nos sustenta. Os erros que cometemos são pais que nos corrigem mesmo sem eles estarem por perto; porque do erro vem a resposta de nossas decisões. Por isso para mim esse dia é um momento de reflexão e eu lembro de uma lenda que conta como podemos alcançar o céu ou o inferno através de nossas decisões.
Certa vez uma pessoa muito forte e já conhecido pela sua índole violenta, como estupendo lutador e desbravador, foi procurar seu pai em busca de respostas para suas dúvidas.
Encontrando-o,indagou: - Pai, disse o rapaz, com desejo sincero de aprender, ensina-me sobre o céu e o inferno.
O pai, de pequena estatura e muito franzino, olhou para o então, famoso e bravo guerreiro e, simulando desprezo, lhe disse:
- Eu não poderia ensinar-lhe coisa alguma, você está imundo. Seu mau cheiro é insuportável.
- Ademais, a lâmina da sua espada está enferrujada. Acho que você é uma vergonha para a sua classe.
Imediatamente o rapaz ficou enfurecido. O sangue lhe subiu ao rosto e ele não conseguiu dizer nenhuma palavra, tamanha era sua irritação e incômodo com aquelas palavras. Empunhou a espada que levava consigo, ergueu-a sobre a cabeça e se preparou para decapitar o seu velho pai.
- “Aí começa o inferno”, disse-lhe o pai com tranqüilidade.
O filho ficou imóvel. A sabedoria daquele pequeno homem o impressionara. Afinal, arriscou a própria vida para lhe ensinar sobre o inferno. O intimorato jovem abaixou lentamente a espada submetendo-se a introrsão e agradeceu ao seu genitor pelo valioso ensinamento. O pai continuou em silencio e apenas fitou-lhe os olhos. Passado algum tempo o filho, já com a intimidade pacificada, pediu humildemente ao pai que lhe perdoasse o opróbio sem propósito.
Percebendo que seu pedido era sincero, o pai lhe falou:
- “Aí começa o céu”.
Com essa antiga lenda quero lembrar a todos a importante lição sobre o céu e o inferno que podemos construir. Tanto o céu quanto o inferno, são estados de alma que nós próprios elegemos no nosso dia-a-dia. Assim sendo a cada instante somos convidados a tomar decisões que definirão o início do céu ou o começo do inferno. Ante a partida de um ente caro, nos braços da morte inevitável, podemos optar pelo desespero ou pela resignação.
Enfim, surpreendidos pelas mais diversas e infelizes situações, aonde perpassam transeuntes apressados; ou onde a perplexidez se esconde; poderemos sempre optar pela incompreensão ou estender a ponte do diálogo que nos possibilite uma solução feliz; pois sempre haverá alguém que nos quer bem e nem tudo está perdido.
Mas uma coisa é certa: o bem que hoje fazemos é o mal que não nos alcançará amanhã. E um lembrete: não acredite que tenha um dia específico para comemorar os dia dos Pais. O dia dos Pais são para serem comemorados todos os dias; porque para eles cada sorriso nosso é motivo de festa e cada vitória nossa é motivo de orgulho!
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