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Ano 1 - Ponta Porã - MS, 18 de Maio de 2013
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DOUGLAS DANIEL
Aquela que me acompanha...

Quem é você que corre por minha face?
Sou uma lágrima
Uma Lágrima? De onde vens?
De sua mãe dor
Que seja. Então não é bem-vinda. A que veio?
Vim lavar sua tristeza
Lavar? Tristeza é algo que odeio, não há quê em lavar.
Vou lavá-la para longe
Então te quero perto... mas é tão pequena.
E não o é a tristeza?
Me avassala como um gigante. Que pretendes? Uma Lágrima? És tão pequena e corre tão lentamente em direção a meus lábios. Que podes contra tamanho sentimento que foi tragado por minhas veias?
Menospreza-me por meu tamanho?
Menosprezo-te por achar que tão pequena partícula de minha exteriorização pense que possa carregar algum significado.
E não carregaria dor tamanha pequena partícula carregada?
Se te derivas de minha angústia, que queres contra ela?
Foste tu que me chamaste.
Eu? Estava a corroer meu interior quando chegaste. Não és ti enviada de mãe dor?
Sim. E de pai medo.
Que medo tens?
Nenhum.
Então não o compreendes. Como pode ti, então, atender a um desejo de tal?
Porque tu compreendes. Venho da dor que te acaba, partícula da tua exteriorização, sou uno contigo.
Mas que podes sendo tão mais pequena que eu?
É que não tenho medo. E não é "amor" uma palavra tão mais curta que a minha?
Maldito seja quem toca em seu nome!
Não faz seis horas ponderava se haveria no mundo algo melhor.
Uma Lágrima, o que compreendes de amor?
Compreendo que amas quem está distante. Depende teu amor de presença física?
Está, com certeza, sete patamares acima disso.
E que te apetece de chorar por uma coisa dessas?
Se ela estivesse perto seria diferente...
Sim. Teria uma palavra a menos em seu vocabulário para amaldiçoar.
Que taxas de palavra? Taxas-te-se uma agora há pouco. Lave minha tristeza e parta!
Não. Vou ficar. Questionar como seu amor lhe trás dor, a desnecessidade da presença de quem amas trás angústias e uma tão pequena e calma – que não digas solitária – lágrima como eu que nasce no canto de seus olhos e morre no canto de seus lábios possa salgar tanto sua língua, gerar tanto conflito, carregar tanta compreensão e sentimento; mais que 12 mil verbetes.
Por que ainda falas? Estava bem ao me corroer e mascarar com um sorriso!
Porque o que te apetece de ter é medo! Não és filho único, mas também não és mais filho...é carregado pelos braços do medo de amar, que por sua vez é sustentado pelo desejo de ser amado.

* Poeta e acadêmico do curso de Ciências Sociais na UEMS de Amambai

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